Monday, February 08, 2010


CARNAVAL 12/18



Já dizia Mano Brown que a pessoa podia sair do gueto, mas que o gueto nunca pode sair da pessoa (ou algo desse tipo) e como forma de devolução de idéias, confusão e acima de tudo uma psicodélica subjectividade na minha singular concepção poética, me aproveito do meu lirismo (um lirismo que só não é maior do que o tesão por um navio cheio de loiras) para anunciar o regresso para minha terra: Rio de Janeiro, meu berço sujo que todo ano, ponho os meus pés sedentos por brasa e pontas de cigarro- é claro -de maconha, além da menina bonita típica do Rio, da corrida do bar na lapa que não pago a conta e do roubo dos vidros de pimenta da zona sul. O Rio fede, o Rio é velho , o Rio é um mictório com trilha sonora de bloco, mas perto dos filmes do Pasolini, O Rio é lindo.
Só tenho 10 reais pra tomar de cerveja e a vida inteira para ver o põr-do-sol já dizia o poeta e depois do ensaio geral, é carnaval. Sem juízo, faço meu corpo um prejuízo pela vontade de tirar a ferrugem da lata da mente humana, entre as bagunças dos sentimentos e a ilusão de que o ser se renova no ano que acabou de chegar. Eu me lembro da confusão que existia nos meus primeiros carnavais, que no bairro de Olaria eu pouco entendia. De criança via pessoas loucas de outras pedras, bebendo cachaças de confete, casais traindo no fim do baile, sons de tiro, bumbo, tamborim e latinhas de cervejas ao encontro de serpentina e a figura ímpar do Bate bola ou melhor do Clovis de sentimento nazista que assustava as crianças que queriam estar na fumaça da piscodelia que se chamava Carnival. Eu era inocente mas queria estar alí de algum jeito, pois era diferente dos natais e dos revellions, só se comparava pelos dias de copa do mundo, mas eu com 7 anos, não queria saber de futebol, só de video-game e do gibí do Batman.
Anos e viagens surreais se passaram, pedras surgiram, cachaças se misturavam ao limão com açucar, colombinas surgiram e sons de caixa e bumbo se tornarão companheiros de trabalho, e é claro me tornei o Clovis da minha rua, por defender as bandeiras e estar presente só no sapatinho, pois a cidade suja de samba triste vive nas lembranças
Na minha falta de sono, escrevo pra mim mesmo para desabafar a minha ansiedade de estar acordando no engarrafamento de São Gonçalo , no riso pelos brizolões pichados e da hora que o samba do avião toca no mp3, quer dizer, Tom Jobim e seu chamado para um red label após aquele café com prensado da Manuela.
pois é, Rio de janeiro,eu amo voxe !

Danilo Ferraz

2 comments:

Natalie said...

Espero que estejas indo apenas para o carnaval... ou pretendes voltar a viver por lá?

Saudade de assistir um filme contigo... Eu até pagaria a tua cerveja se não tivesse que prometer um por do sol para que alguém pague a minha! rsrs

dansesurlamerde said...

ora, tu é bem malandro carioca mesmo, o rio tá em ti.
vontade de ter ido pra lá, mesmo eu, essa gaúcha que não sabe sambar, mas gosta de samba.